Embalagem do óleo lubrificante: entenda tudo sobre

Você sabe a importância de entender a embalagem do óleo lubrificante?

A embalagem do óleo lubrificante está repleta de números, siglas e palavras complicadas. A maioria sabe o que é o óleo lubrificante e para que ele serve. Mas você consegue entender tudo o que vem escrito na embalagem?

Pode parecer um detalhe sem importância, mas é fundamental que você entenda o que você está comprando. A embalagem do óleo lubrificante traz informações essenciais para escolher a opção mais adequada para cada veículo.

Existe uma grande variedade de óleos que parecem iguais. Quanto mais detalhes você souber explicar ao cliente que tenha dúvidas, mais pontos você ganhará com ele.

Conhecendo os termos técnicos e as especificações, você também entenderá por que um determinado produto é mais robusto que outro.

A embalagem do óleo lubrificante

Saiba mais sobre as siglas presentes no óleo lubrificante.

As siglas que aparecem na embalagem do óleo lubrificante se referem a características específicas do produto. São siglas definidas por entidades internacionais, responsáveis pela elaboração de normas para a classificação de óleos lubrificantes.

Essas normas são definidas por meio de testes que avaliam o óleo de acordo com seu uso. Essas informações, então, são dispostas na embalagem do óleo lubrificante.

Normalmente, a informação sobre que tipo de óleo é indicado para cada veículo aparece no manual do proprietário.

No entanto, é impossível que você decore a recomendação para cada tipo de veículo. A melhor forma de fazer recomendações e tirar dúvidas dos seus clientes, então, é aprender a ler a embalagem do óleo lubrificante corretamente.

Nesse post separei um exemplo de produto, indicando todas as nomenclaturas encontradas e explicando uma por uma.

Dessa forma você vai aprender a ler embalagem do óleo lubrificante de forma simples. Acompanhe!

Natureza do produto

Identifique as informações mais importantes na embalagem do óleo lubrificante.

Normalmente, a informação sobre a natureza do produto vem apontada na embalagem do óleo lubrificante abaixo da nomenclatura criada pelo fabricante. A natureza pode ser sintética, semissintética ou mineral.

Cada tipo tem características específicas de desempenho, sendo que os sintéticos são os óleos lubrificantes mais avançados disponíveis no mercado.

Veja a seguir quais são as características de cada tipo de base:

Mineral

O óleo lubrificante mineral é composto de uma mistura de óleos básicos minerais e aditivos. Os óleos básicos minerais são obtidos pelo processo convencional de destilação do petróleo.

É o produto mais tradicional no mercado. Suas principais características são:

  • Menor intervalo entre trocas;
  • É mais barato que os sintéticos e os semissintéticos.

Semissintéticos

Óleos lubrificantes semissintéticos são formulados com uma base semissintética e aditivos.

A base semissintética é uma mistura de óleos básicos minerais e sintéticos, que apresenta um desempenho superior ao do mineral sem chegar aos níveis do sintético.

Algumas características do óleo semissintético são:

  • Desempenho superior  ao óleo mineral;
  • Custo inferior ao sintético.

Sintéticos

Fabricado a partir da mistura de óleos sintéticos e aditivos, o óleo lubrificante sintético possui altíssimo grau de pureza e desempenho superior aos semissintéticos e minerais.

As principais características do óleo lubrificante sintético são:

  • Economia de combustível ;
  • Menor consumo de óleo;
  • Maior resistência à oxidação (envelhecimento), possibilitando maiores intervalos de troca;
  • Partidas rápidas a baixas temperaturas.

Agora que você entende melhor a  natureza  do óleo lubrificante, vamos falar do SAE.

Grau SAE

A classificação SAE (Society of Automotive Engineers) classifica o lubrificante  pela sua viscosidade.

Essa classificação se divide em dois grupos: os monoviscosos (o SAE apresenta apenas um número, como por exemplo “30” ou “10W”) e os multiviscosos (representados por dois números, por exemplo, “10W-30”).

Os multiviscosos são mais usados hoje devido sua capacidade de adequação da viscosidade dependendo da temperatura.

No caso da embalagem do óleo lubrificante no nosso exemplo, o grau SAE é 5W-30. Trata-se, portanto, de um produto multiviscoso.

O primeiro número, 5W, indica a viscosidade em baixa temperatura que é crítica para a partida do motor. Quanto mais baixo este número, maior será a fluidez do óleo lubrificante em baixa temperatura o que proporcionará maior proteção na partidas à frio, já que essa característica possibilita melhor circulação do óleo fazendo com que este alcance as peças críticas, principalmente as que se encontram na parte superior do motor, mais rapidamente.

Já o segundo número diz respeito a viscosidade em alta temperatura (por exemplo, 30 ou 40) que proporciona a formação de película adequada para uma boa lubrificação com o motor quente.

Na hora de escolher o óleo lubrificante, consulte sempre a recomendação do fabricante do veículo pois este é quem define a viscosidade mais apropriada para o projeto do motor do seu veículo.

Se você quer entender melhor sobre os números de viscosidade, você pode ler esse post sobre viscosidade do óleo.

Usar um lubrificante com a viscosidade correta é uma medida crucial para conseguir o melhor desempenho. Isso garante a durabilidade  do motor, economia de combustível e redução da poluição.

Aplicação do produto

Essa informação na embalagem do óleo lubrificante indica para qual tipo de motor o óleo é recomendado.

No exemplo que foi mostrado, o produto foi desenvolvido para carros flex, gasolina, etanol ou GNV.

Classificação API

A classificação API (American Petroleum Institute) estabelece um conjunto de testes que define os níveis mínimos de  desempenho para o óleo lubrificante para motor automotivo. Esta classificação evolui sistematicamente conforme as demandas para a redução da poluição e do consumo de combustível se tornam mais severas. O aumento na severidade destes requerimentos obriga os fabricantes de automóveis a desenvolverem novos projetos de motores mais eficientes que necessitam de lubrificantes mais modernos.

A classificação API divide os óleos em duas categorias, dependendo do tipo de motor para o qual foram projetados.

Se a primeira letra for S, quer dizer que o óleo foi desenvolvido para atender carros flex ou movidos  a gasolina, etanol e gás natural veicular. Já para motores a diesel a sigla utilizada é API C.

Na API S, a sigla vem seguida de outra letra, para determinar qual o nível de desempenho o óleo atende.

Quanto mais distante a segunda letra estiver do “A” no alfabeto, mais desenvolvido e recente é o produto. Por exemplo: um óleo API SN é superior a um API SL ou SM, podendo obter um desempenho muito melhor.

Classificação ACEA

Assim como a API estabelece os critérios mínimos de desempenho para os óleo de motor para os Estados Unidos, a ACEA (European Automobile Manufacturers Association) é a responsável por desenvolver as especificações dos lubrificantes de motores automotivos para a Europa. A ACEA possui um sistema de classificação diferente da API pois considera 3 diferentes blocos de especificação; Os destinados a veículos pesados movidos a diesel, identificada pela letra “Ex” onde x é um número (ex: ACEA E7); Veículos leves movidos a diesel e gasolina identificada pela sigla “Ax/Bx” (ex: ACEA A3/B4), onde x também é um número e finalmente a categoria dedicada aos veículos leves movidos a diesel com sistema de pós tratamento de gases da exaustão com filtro de partículas, identificada pela sigla “Cx” (ex: ACEA C2).

Certificação ILSAC

Certificação concedida pelo Comitê Internacional de Padronização e Aprovação de Lubrificantes (International Lubricant Standardization and Approval Committee).

ILSAC é uma entidade conjunta dos fabricantes de veículos automotores dos Estados Unidos e do Japão que cria e estabelece os níveis mínimos de desempenho para os lubrificantes para motores.

Quando se trata do desempenho de lubrificantes, a classificação ILSAC GF-5 tem correlação direta com a classificação API SN (Resource Conserving). Um produto que atende os requerimentos GF-5, supera a classificação API SN nos quesitos de economia de combustível e emissões de gases poluentes.

Especificações de montadoras

Na embalagem, também é muito comum encontrar especificações de montadoras. Na maioria das vezes estas especificações são mais severas que as especificação API, ILSAC ou ACEA.

Os óleos lubrificantes passam por inúmeros testes de qualidade antes de serem aprovados ou indicados para estas especificações.

É importante sempre verificar se o óleo utilizado atende à especificação recomendada  pela montadora de seu veículo.

Quer saber mais sobre óleos lubrificantes? Dê uma olhada em alguns posts que você pode gostar:

Agora que você já sabe ler a embalagem do óleo lubrificante, pode recomendar a melhor opção para os seus clientes!

Ficou alguma dúvida? Deixe o seu comentário no final da página.

Guia Havoline Texaco

Especialista Técnico formado pela Universidade Metodista de Piracicaba em Engenharia Industrial Mecânica, Pós Graduado em Marketing. Com mais de 22 anos de experiência no setor de Petróleo, sendo 9 anos na área de vendas de lubrificantes industriais e automotivos, e os demais na área de suporte técnico e desenvolvimento de lubrificantes para mercado brasileiro.

6 comments

  1. Tenho um Corolla Xei-2.0 com 40.000 km. Antes da última revisão estava usando óleo sintético 5w30w. Após fazer a revisão o pessoal colocou o semi-sintético 5w30w solicitado no manual. Algum problema nisso? Por quê será que não mantiveram o sintético se sua tecnologia é melhor?

    • Delton Stabelini Delton Stabelini says:

      Paulo, bom dia! Alguns fabricantes dão duas ou mais opções de uso de óleo, pode ser que no momento da troca não tinham produtos de base sintética então usaram o semissintético, mas não tenha dúvida o de base sintética tem um melhor desempenho para o motor. Abraço!

  2. Ronaldo Bressan Delírio says:

    Bom dia,carros que passam de 100 mil quilômetros,usam o mesmo óleo recomendado pelo fabricante ou é bom usar um mineral.

    • Delton Stabelini Delton Stabelini says:

      Ronaldo, bom dia!

      Se as trocas de óleo e filtro foram realizadas nos períodos recomendados, não existe a necessidade de modificar o óleo que vinha sendo utilizado. Abraço!

        • Delton Stabelini Delton Stabelini says:

          Oi, Josimar. Tudo certo? Infelizmente nosso material fica disponível apenas no blog. Não dispomos de material em pdf. Abraço!

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